Youth Without Youth (Uma Segunda Juventude) – Crítica

Ficou 10 anos sem escrever ou realizar e eis o seu regresso. Francis Ford Coppola faz um filme à boa maneira independente. Confessou que sentiu na pele pela primeira vez o que é ir para as gravações e a adrenalina ser acompanhada de medo. O medo de não conseguir fazer. De tudo depender da direcção deste homem.

Ao início até me fez lembrar o Curioso Caso de Benjamin Button. Pelo rejuvenescimento do protagonista. Mas logo vi que o conceito não era o mesmo. Coppola foi um dos responsáveis pela nova era do cinema de Hollywood. Mas neste filme em que quer dar tantas asas, o resultado final não é assim tão bem conseguido.
Coppola faz algo muito diferente do que está habituado. Uma narrativa mais complexa e menos linear, não está tão planeada quanto o pretendido para absorvermos da acção e da filosofia. Eu adoro Lynch. Mas Lynch é Lynch. E eu próprio até fazer um trabalho sobre Nouvelle Vague, achava que colocar imagens soltas e deixar pontas aparentemente inacabadas em cenas desconexas, era fácil como sujar um quadro. Mas quando não seguimos regras, aparecem regras muito mais exigentes. As regras que nós próprios temos que criar para dar a volta a soluções que vão dar uso a esta “sujidade”. E aquilo que vamos percebendo ao longo do filme, conta mais que um final inesperado.

Eu gostei do filme em si. Gosto sempre quando um realizador depois de velho enverga por outros caminhos. Não tem é necessariamente que o fazer bem. E foi o que aconteceu.
Este argumento já era difícil só pelos vários temas e vertentes que aborda. E entre a ficção e a realidade, o físico e a ilusão, é preciso haver um jogo muito forte e convincente. Porque em cinema o espectador vê o que está no ecrã. E os recursos utilizados para o efeito não são muito felizes.
Em jogo com isto, num filme deste género, Coppola não deveria preocupar-se em querer obrigar o espectador a entender um só possível caminho. Esta é uma narrativa não linear e Coppola não tem jogo de cintura para utiliza-la do inicio ao fim. Quer dar uma imagem que não é, é esta a impressão com que ficamos. Soa a falso. Não envolve. Não me convence. E alem disso, no final não estamos em aberto, estamos confusos pela negativa… Em vez da dúvida que merece deixar um filme de ilusão.

Fica um 6.0 em 10

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