Trainspotting – Crítica

Com várias referencias, como a Laranja Mecânica,  Danny Boyle faz uso da sua criatividade para dar ênfase a cada cena.

Trata-se de auto-destruição. Um soberbo elenco que encarna um grupo de viciados em heroína, ladrões para manterem a sua forma de vida, num subúrbio de Edimburgo, Escócia.

Presos ao ódio pela sociedade, refugiam-se numa vida sem perspectivas. E este ódio pela sociedade é-nos apresentado directamente da primeira pessoa. Foi por isso que o filme foi acusado de apologia as drogas. Sentimo-nos miseráveis por sermos normais. Dá vontade de experimentar heroína, garanto-vos!

Rents (Ewan McGregor), Sick Boy (Jonny Lee Miller), Spud (Ewen Bremner) e Begbie (Robert Carlyle). Vale a pena referir letra a letra a identidade destes homens. Dão-nos uma sensação brutal de desgraçados, ao ponto da repugnância que sentimos, em paralelo com a questão que nos impõem durante todo o filme. Quem é mais triste? Quem tem um emprego, casa, carro, filhos, maquina de lavar, domingos… Ou esta cambada de drogados que nos descrevem cada detalhe do prazer que é cada injecção? E cada um deles, tão distintos e tão interessantes para nós.

Confesso que normalmente detesto ver um actor olhar para a câmara. Normalmente gosto que a câmara rodeie o acting. Mas não é sobre normalidade que trata o filme? É que não poderia ser de outra maneira! Danny Boyle pensou em cada raccord com uma criatividade extrema, de uma forma tão louca, como estas “passagens” que são encarnadas pelo contexto! Não há um espaço menos interessante. Quem tem uma mínima ideia do que é filmar, quem tem uma mínima ideia do que é pegar numa câmara para fazer um filme, dá muito valor aos detalhes dos movimentos que temos aqui.

Danny Boyle através de cenas como a simples ida á casa de banho de Rent, que era completamente dispensável, ou não, convida-nos a mergulhar na ‘merda’ em que o rapaz se está a meter, porque é isto que ele quer enfatizar! Ou do despertar de Spud numa casa alheia, em que só faz merda literalmente, ainda que de forma hiperbolizada!

Resta-me ainda fazer referência a algo que me fez diferença na minha colecção cinéfila. A ressaca de Rent, quando preso em casa dos pais, longe das drogas, é a cena mais credível e mais original e mais alucinante que já vi dentro dum contexto.

Só vendo e nós demos 8.3 a Trainspotting.

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One thought on “Trainspotting – Crítica

  1. […] Leia a crítica completa em: Conversa de Cinema […]

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