The Dreamers – Crítica

“Não queria que acabasse” foi o que eu disse imediatamente a seguir ao filme. Que Paris tão encantadora. NÃO! Não é Paris… Nem vemos realmente as belas ruas de Paris. Estamos a maior parte do tempo num apartamento envolvido de inspiração de três jovens do Maio de 68.

Estamos na revolução sexual. Estamos perante um meio artístico, que não cai no erro de roçar o pseudo-intelectualismo. É subtil. Passando pelo incesto num aspecto tão afável que cativa, temos inúmeras referências a clássicos do cinema, que nos deliciam nas suas passagens mais visuais. Este visual tão explícito não dá espaço para reflexões, isto um erro para uns, para mim uma mais valia. Não é monótono, envolve mesmo que estejamos a falar de intelectuais, estamos no meio da revolução e não precisamos de estar na rua para a sentir. Três actores apenas que retêm toda a atenção e densidade do filme. E apenas com estas três personagens num espaço tão pequeno, conseguimos ficar envolvidos e encantados com eles. É forte, é profundo e nada repugnante, pois conhecemos as personagens e deixamo-nos ‘convencer’ dos seus ideais. Isso é muito bem conseguido!

Outro aspecto muito positivo do argumento, é que não é fechado. Nunca há conclusão por egoísmo do realizador. Há sempre a dúvida na cabeça destes jovens, como tem de ser. E essa dúvida de quase crise existencial, paira no espectador também. São várias as conclusões que se podem tirar e como eu disse ao inicio, o filme podia muito bem continuar e continuar depois do seu feliz término.

A fotografia é bela, pelas referencias imagéticas de que está repleto o filme. A paixão pelo cinema é partilhada com o espectador de forma muito próxima e criativa… Nunca saindo do triangulo amoroso dos dois irmãos parisienses e do ‘convidado’ americano. A sexualidade exposta aqui, é muito sensual e explorada de uma forma muito sensível. Esteticamente, linda, fisicamente falando, pelas belíssimas actuações dos três, nas cenas de nudez.

O trio composto por Michael Pitt, Louis Garrel e Eva Green está extremamente bem dirigido, mas realço Eva pela sua misteriosidade, misturada com romancismo e inocência, sensualidade e erotismo, que nos transporta ao seu intimo da forma mais peculiar possível, dando ao trio um relacionamento mais tórrido, permitindo o desenvolvimento de características psicológicas, que faz com que tudo se torne mais intrigante.

Mas são pormenores da realização, que nos dão a redondez destas personagens. É exemplo disso a fabulosa cena em que Isabelle (Eva Green) se ‘transforma’ quando ouve a Non Je Ne Grett Rien de Edith Piaf.

Ainda para nos remeter à máxima absorção de conteúdo, Bertolucci usa-se de músicas de Françoise Hardy, Jimmy Hendrix, Eric Clapton, Janis Joplin, The Doors, entre outros.

Momentos provocadores e ardentes, com momentos de uma tranquilidade encantadora… É o resultado para o 8

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