Taxi Driver – Crítica

Táxi Driver é um clássico com cenas tão célebres, que se tornaram parte da cultura popular ocidental. A sinopse deste filme é curta. Um ex fuzileiro (interpretado por Robert De Niro) que busca um sentido para a sua vida, retratado aqui por obsessões. São como tentativas falhadas de criar laços. Primeiro por uma rapariga que leva a ver um filme pornográfico, depois um candidato politico que acaba por assustar, uma miúda prostituta – que é símbolo da degradação que rodeia o protagonista… Tudo dá errado nas relações interpessoais desta personagem.

Paul Schrader escreveu este argumento, capaz de nos fazer acreditar que temos a figura heróica do vigilante das ruas de Nova Iorque e ao mesmo tempo, desmantelar esta personagem enquanto a acompanhamos crescer. Brilhante! Diz que escreveu o argumento em dez dias! Depois de sair de um casamento, em que teve oportunidade de observar várias frustrações pessoais, e enquanto vagueava pela cidade Nova-Iorquina. A roupa de Travis Bickle (Robert De Niro) é inclusivamente sua.

O trio a funcionar na perfeição – Schrader com a sua experiência de vida, Scorsese como enorme realizador e De Niro numa performance avassaladora. Não é por acaso que esta “equipa” volta a trabalhar junta!

De Niro dá-nos uma personagem que não conhecemos nunca por completo, dando espaço para que esta se transforme. Deixa-nos no impasse entre o humano e o perverso. Uma ambiguidade difícil de transbordar. O actor dias antes da rodagem, experienciou a vida de taxista na companhia do realizador.

Scorsese não tinha ainda grande credibilidade em Hollywood, mas soube importar melhor que ninguém, os movimentos que se geravam nesta altura na Europa. Muitas das cenas são célebres pelo seu significado, coisas simples que dão um toque cinematográfico especial, para entrarmos no mundo do personagem. A improvisação é também um método que o realizador estabelece com os seus respeitados actores. Para além de muitos dos diálogos, principalmente no táxi, serem improvisados – coisa impensável para um clássico realizador de Hollywood – a mais famosa cena do “Are You Talkin’ to me?”, foi obra do acaso. A câmara estava ligada, numa interrupção devido ao barulho exterior, enquanto De Niro ensaiava e “inventou” este discurso. O realizador aproveitou esta cena, não só pelo brilhantismo do actor, mas para reforçar a solidão do seu personagem, já que quando pergunta “Are you talkin’ to me?” está em frente ao espelho. É por isso que Táxi Driver é um trabalho de equipa!

Tendo em conta a altura em que foi produzido, Táxi Driver foi inovador por romper a estética clássica de Hollywood. Não só por isto, o contexto social era de contestação, conflitos e assassinatos políticos. A guerra do Vietname tinha acabado de terminar.

A mesma sociedade que rejeita Travis, é a mesma que no final o absolve como herói. É este retrato da sociedade como um todo, que torna o filme mais do que cenas soltas interessantes. É intemporal esta visão da sociedade ocidental! Não só pelas marcas que deixou a posteriores realizadores, é consideravelmente um filme de nível 8.1.

11 thoughts on “Taxi Driver – Crítica

  1. edson pitaco diz:

    Não gostei desse filme, apesar de gostar de filmes da epoca, esse não diz nada pra mim.só um fim com cenas marcantes pro cinema mas durante o filme inteiro é um saco, dá vontade de dormir.

    • O filme não é chato, muito pelo contrário, e não disse nada? Sério? Quer dizer, durante quase 2 horas de filme você não conseguiu absorver nada, absolutamente nada do que o filme quis passar? Acho que o teu problema e de outros que não sabem apreciar filmes como Taxi Driver é a falta de sensibilidade, mesmo. É a falta de uma visão mais sensível e crítica sobre as coisas.

      • ROBSON SILVA diz:

        Uma das qualidades do Diretor, diretamente expressas no filme, é o confronto de identidade e de valores, quem sabe a diversidade de pensamentos, de racionalidades que imperam dinamicamente na vida cotidiana. Isso implica, acredito eu, numa contribuição para que saibamos, não somente olhar o mundo, mas enxergar o mundo, o que envolve sensibilidade e capacidade crítica, aliada a estética. Cinema puro e de qualidade. Agora John Bender, não esquenta, pois tem gente que vai ao cinema e dorme mesmo…como faz diante da vida, talvez…Saudações e bons filemes a todos/as!!!


      • Se possível, assista o meu vídeo de crítica dele, é bem rápido emsm assim, há bastante conteúdo!
        Se gostar, inscreva-se, abs!

    • Migueh do Back diz:

      cara fuma um baseado e assiste esse filme, tu vai ve como ele vai te dizer muita coisa

    • É, o filme como entretenimento é ruim, te deixa para baixo vendo um perdedor burro (levar a mulher para ver pornô? que animal) ; funciona bem em filme de comédia, tipo Debi e Lóide. O que tem de bom nesse filme? ver atores famosos quando eram bem jovens e também ver como era Nova York naquela época.

      • Henrique diz:

        kkkkkkkkk, poxa cara se foi só isso que vc enxergou no filme, se faça um favor volta pros filme da Xuxa kkkkkkkkkkkk

  2. toni de niro. diz:

    esse file é ótimo.

  3. Daniel Riebiro diz:

    eu achei o filme sem um verdadeiro objetivo até entendo que ele é um ex fuzileiro e que tem problemas de insonia e tudo mais, mais parece que quase tudo que ele fez nao levou a nada, o fato de ele ser um taxista (o que da nome ao filme) so serve para interligar os pontos da historia mas nao tem nada a ver com o problema que a historia apresenta.Conclusao:filme cult sem historia que fica o tempo todo passando morais ocultas o que é muuuuito chato e faz parecer que o filme nao tem nexo

  4. Rayan Vargas diz:

    Muito fraco. Pode ser “clássico” mas encontro filmes melhores com diretores latinos ou africanos bem fácil. Se no final toda a trama nao passasse de um sonho devido aos problemas do protagonista até dava para rir no final. O fato de ele se tornar um herói depois de todos o comportamento violento, principalmente com mulheres, e problemático parece incentivar o pessoas com as mesmas características.

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