Mulholland Drive – Crítica

“As ideias são como peixes. Se quisermos capturar peixes pequenos, podemos ficar pelas águas pouco profundas. Mas, se quisermos capturar os peixes grandes, temos que ir mais fundo.”

David Lynch

Esta frase do autor resume a sua ideia base. E é a base de interpretação de Mulholland Drive ou qualquer outro filme de Lynch. A sua interpretação depende da bagagem cultural e intelectual de cada um e não passam de ideias num mundo todo subjectivo que David nos dá, não a assistir mas a envolver-nos para dentro dele. Por isso nos pede que vejamos cinema com um bom sistema de som e um bom ecrã e uma boa concentração.

Promenores que podem ser tudo ou nada. Para mim pode ser, para ti nem tanto, para si muito menos. O que será tão bom nisto tudo? A estética, o drama erótico que fica sempre num impasse tal que nos sentimos desde o início na corda bamba, ou a própria incompreensão de tudo isto?

Diz David Lynch no seu livro “Em busca do grande peixe” que dentro de cada ser humano existe um oceano de consciência pura e vibrante. E é sobre consciência que “medita” este filme.

A narrativa que nos parece linear desde o inicio, no último terço do filme fica fragmentada e a única coisa que nos faz lembrar que estamos a ver o mesmo filme, são as personagens (e até estas aqui mudam repentinamente de nome). É preciso uma atenção cuidada, pois não é por acaso que tamanha complexidade se sucede. Temos referencias ao longo de todo o filme. Objectos que a sua presença fazem um marco espácio-temporal imprescindível á sua compreensão. E isto meus senhores é boa realização, como diria um grande professor meu. São estas pistas que nos dão uma ligação para entender o porquê de estarmos a ver um filme que nos deixa confusos pela sua ordem cronológica, estética não linear e a própria história. Sentimo-nos loucos, numa narrativa louca, porque é o que o realizador quer que sintamos… E porquê? A protagonista está louca e ponto final! E é este sentimento que prevalece neste filme que nos deixa a pensar what a fuck!? ao mesmo tempo que a própria Betty! Percebemos que algo está errado com o que estamos a assistir ao mesmo tempo que Betty entende que algo muito estranho se está a passar com a sua sanidade! E tudo isto é tão insane! E ao mesmo tempo não deixa de ser sensual, ao contrário do que contado parece repugnante!

É um filme que no seu todo para mim tem uma nota variável mas que não podia deixar de dar… Fica o excelente 8

 

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