Melancholia (Melancolia) – Crítica

Bom, temos duas horas de filme e ao que parece duas partes distintas. O filme parece que começa a meio e o prólogo não nos diz nada mais, que um resumo de mensagens que vamos absorver. Mas isso não é mau. Não vou ficar preso ao último e adorável Anticristo. Pouco intenso, foi a primeira coisa que me saiu quando começaram os créditos.

Primeiro temos o casamento em que Kirsten Dunst, é protagonista na acção e nada se desenvolve disso. Metade do filme para se perceber que, vai passar a viver com a sua irmã e todas as personagens secundárias desaparecem para sempre, sem que entendamos o porquê! Achamos que têm algum peso para a narrativa e nada se desenrola a partir delas, nem as voltamos a encontrar no filme. Sentimos pela excelente interpretação da protagonista, a sua profunda depressão – com alguma repugnância por ser o casamento um meio tão pouco apropriado. Porém, a temática envolvente não é crescente, ao contrário do que estava a achar quando vi, sinceramente, Kirsten Dunst nua à beira rio.

A partir daí perde novamente intensidade e a acção passa-se a desenrolar num eixo central chamado Charlotte Gainsbourg. A sua irmã que tem um filho, que deveria ser muito mais aproveitado. Um muído na idade dos porquês e explicitamente inteligente, deveria servir para dar intensidade, ao que é o medo da mãe pelo filho quando o mundo está para acabar. Está muito bem representado mais uma vez o egoísmo em torno da depressão, tema preferido por Lars Von Trier, pois tal doença sentiu ele na pele (na altura em que escreveu Anticristo). Mas este miúdo tem pouca voz. E duas horas de filme deveria chegar para chegarmos à intensidade que merecia.

Porém existem coisas que tornam infantil e pouco convincentes, que desviam o espectador e o erro é só todo do realizador. Não digo que precisemos de um clítoris cortado. Nem renego o estilo de câmara característico do autor, já que devemos acompanhar de perto as personagens, este estilo quase documental e com alguns cortes no eixo do olhar, não é grave. Mas cheguei ao final de duas horas e parece que ainda não tinha visto nada… Contudo merece 6.8.

One thought on “Melancholia (Melancolia) – Crítica

  1. Juan Rossi diz:

    Lindo, lindo, lindo. Já havia gostado de Ninfomaníaca e a atriz e o ator principais de lá reaparecem, muitíssimo bem! Além disso, as cenas lentas iniciais, o Wagner constante, a lentidão são memoráveis. Suficientes para apaixonar qualquer um por este diretor. E Kirsten assumiu o papel principal da depressiva ostensivamente bem. Às vezes perde-se o fôlego pela beleza do filme todo!!

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