In Time – Crítica

Quando é que não vimos já filmes em que a menina que tem tudo se apaixona pela louca vida do pobre? Titanic? Quantos mais? Quantas histórias não vimos já de pobres que roubam o que supostamente é roubado dos ricos, para dar aos pobres? Robin Hood? Mas desta vez há algo aqui muito criativo.

Desenvolvendo a teoria da conspiração, Andrew Niccol usa-se da ficção cientifica para por a andar o seu filme. “Tempo é dinheiro” onde é que já ouvimos isto? Mas aqui é literalmente o caso! Desde o inicio do filme que percebemos de forma fácil o contexto em que estamos. Num futuro próximo em que não há dinheiro. O pagamento é feito em tempo de vida. Todos chegam aos 25 anos, a partir daí têm de lutar pelos dias, minutos, segundos. Todos podem, todos querem, todos têm a esperança de ser eternos. Mas para uns viverem eternamente, muitos têm de morrer. É o sistema. E é uma realidade bem próxima.

Andrew Niccol realizou, escreveu e produziu esta longa-metragem. Adaptou a nossa realidade e a sua visão do sistema, para uma criativa e simples representação: do mundo dos ricos que vivem quanto querem, dos que vivem um dia de cada vez, dos que roubam, dos que se usam dos que pouco têm… E ainda que a realização deixe coisas por explicar (que na minha opinião não são graves, ao ponto de distrair o espectador do que realmente importa) o argumento salva o filme! O problema é que algumas das vezes se pode tornar pouco credível para alguns.

Não é a primeira vez que o argumentista de “The Truman Show” ou “Lord of War” se utiliza de um campo de personagens tipo, para transparecer a sua visão do que é o mundo em hora e meia, ou do que é o mundo contado numa cidade. E dá para perceber que o realizador gosta de contar histórias de minorias, para representar a maioria. E se a minha frase pareceu confusa, Niccol fá-lo de uma maneira muito simples e transparente (apesar de um McGuffin muito criativo). E eu gosto muito disso.

Embora previsível e pouco convincente muitas das vezes – previsível por preguiça na realização e pouco convincente também pelo acting unidimensional – o filme não deixa de abordar questões filosóficas e existenciais, num seio todo ele pedagógico. Mas eu não estou a espera de surpresas e na minha visão de realizador, há uma lufada de ar fresco nos argumentos deste senhor. Ele prefere transpor uma realidade complexa, para um mundo pequeno representante de um todo. Na minha opinião, é dos poucos que se sabe de utilizar ficção cientifica desde A clockwork Orange.

Um argumento tão difícil de transpor para a tela, é merecedor de 6.9 e só não mais, pelas pontas soltas e preguiçosas que ficaram no resultado final e que, afinal de contas acabam por definir uma boa, de uma má realização.

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