God Bless America – Crítica

Uma comédia negra, repleta de sátiras e nada por acaso! Muito contida, una e muito bem justificada desde o início ao fim.

A comédia é o meio que o realizador (Bobcat Goldhwait – que também escreveu) utilizou para chegar da melhor forma ao espectador, e alcançou – com enorme sucesso – um filme que sem pingo de nostalgia diz o que quer. E o que quer é um argumento delicado com um guião muito bem estruturado. Conhecemos o personagem, qual – mesmo que não nos identifiquemos – vamos seguir bem de perto até ao seu final. A jovem que o acompanha dá um toque bestial que contempla esta dupla e, embora a diferença de idades, sentimos muito segura esta actuação conjunta!

Durante a viagem do herói, nada passa despercebido e embora a sua missão possa ser um massacre, não é com repúdio que olhamos para ela. Todas as emoções são deixadas de lado e passamos a pôr de parte o politicamente correcto, para dar vez ao lado ético, acompanhado com bom humor negro e personagens quase tipo, que compõem o “background” desta sociedade criticada da melhor forma. A quem nunca passou pela cabeça, mesmo que por dois segundos irracionais, dar um tiro no vizinho do lado? Quem nunca disse que alguém devia morrer, pelos os seus ideais serem tão repugnáveis ao ponto de serem uma cópia de toda a gente e para isso ser preciso uma AK-47? Aqui isso é tudo feito! Mas nunca de forma exagerada. É muito equilibrado este humor, e todo o conjunto fílmico tem uma estrutura muito densa, da completa responsabilidade da realização. É tão simples que torna tão fácil transmitir tanto!

E aqui somos completamente remetidos para o pior do Ocidente, onde as pessoas são manipuladas pela televisão, pela ilusão do poder de escolha, pelo prazer de consumismo, pela educação superficial e sem ideiais dos seus filhos, de gerações que idolatram quem rebaixa por puro entretenimento, e rebaixados que se vendem para aparecer na televisão.

O filme remeteu-me para o V for Vendetta do ponto de vista ideológico, mas não tão empenhado na incisão do argumento, com vista no público alvo. O herói de V for Vendetta tem a missão de uma vida para fazer história; neste, é um descargo de raiva de uma vida inteira aqui, num ponto já sem luz ao fundo do túnel. Contudo, confesso que a realização de God Bless America é muito superior. E louvo também aqui fotografia, que contribui muito para a absorção de todas as mensagens de que somos alvo a cada plano.

Advirto já que não é humor saudável. É humor sem escúpulos, como tem de ser para o tema e o ambiente que se trata! Sem escrúpulos 7.6 para GOD BLESS AMERICA!

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4 thoughts on “God Bless America – Crítica

  1. LOCO diz:

    aff finalmente uma crítica positiva para o filme… acho chato quando as pessoas tendem a filosofar muito sobre certos filmes… este filme para mim é só uma comédia de humor negro, em que 2 pessoas resolvem sair matando pessoas medíocres. Não que isso seja incentivo para outras fazerem o mesmo, mas é o que todo mundo um dia já pensou fazer em um momento de fúria na vida.

    • Há algo que as pessoas teimam em criticar negativamente num filme que é, quando o seu McGuffin é violência (Tarantino, Robert Rodriguez, etc.) dizer que é um incentivo à mesma.
      Bem, em primeiro lugar há que distinguir o que é ficção da realidade e talvez o que seja importante será manter um distanciamento critico entre o objeto observador e o objeto que é observado. Isso diz respeito à educação de cada um – eu toda a vida joguei GTA e vi todo o tipo de filmes e sou Vegano (caso para dizer que não faço mal a uma mosca). O tipo de espectador que o faz, tem tendência a não absorver a verdadeira mensagem do filme. Há pouco tempo o Oliver Stone foi intimado pela violência dos seus filmes (principalmente de Natural Born Killers) e a sua resposta foi algo do gênero “Os meus filmes são distribuídos por todo o mundo, porquê que só nos EUA se fazem massacres?” 🙂

      • Érico diz:

        Eu não critico negativamente o filme por causa da violência, aliás acho ótima, principalmente neste filme. O problema que vejo aqui é a direção. O filme começou com um pique ótimo e foi se perdendo ao decorrer do segundo e do terceiro ato (porque acabou aderindo à narrativa clássica hollywoodiana). Alguns momentos poderiam ter sido melhor elaborados pelo diretor. Como por exemplo a cena que eles decidem viajar e vemos na tela uma animação cheia de florzinhas que discorda esteticamente com a ideologia do filme. Tá que pode ter sido uma ironia, mas existem maneiras em que teria ficado imageticamente melhor. É um dos filmes que eu gosto, mas tem suas desvantagens.

  2. jesse diz:

    alguem me passa o link do filme , n consigo encontrar

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