Full Metal Jacket (Nascido Para Matar) – Crítica

Uma excelente representação do que foi a estadia dos EUA no Vietnam. Embora fiel à realidade, cada cena tem relevância importante, para nos dar o pior do ser humano. Começa com o lado comum da recruta, passando pelo lado sombrio de um renegado, acabando da mesma forma que acabou a guerra nesta realidade tão crua.

Um filme considerado anti-guerra, mas isso nunca vem ao de cima. É tudo sublime, tudo real, tudo natural. E é esta verdade natural que repugna nos seu maior ínfimo. Afinal de contas, o tema deste filme é a desumanização. E cada cena representa demência. Seja a cena em que maltratam um recruta, seja a cena em que negoceiam a prostituta, seja a simples e contornável cena em que o “animal” conta as vítimas das suas balas.

Desde o primeiro minuto de filme sabemos o que vamos ver e isso deve-se não só à assertividade dos planos de Stanley Kubrik, mas também à excelente banda sonora. A maneira em como o realizador nos apresenta as personagens é arrepiante! Também são sempre simples as formas em como o realizador nos apresenta novos espaços (e aproveito para destacar os excelentes cenários).

O filme conta com duas partes distintas: a primeira com a recruta e a segunda com os soldados já em solo vietnamita. A primeira é completamente essencial àquilo que Kubrick nos quer apresentar… Como o Homem é treinado – através de uma lavagem cerebral – para deixar de ser Homem e passar a ser um assassino. E o desfecho desta primeira parte, para além de nos dar o olhar preferido e o toque mais pessoal do realizador, mostra-nos como a “ovelha negra” que por acaso é o único humano, deixa de fazer parte do pelotão.

E grande elenco que temos aqui! A transformação do soldado Pyle não é só credível por responsabilidade do realizador (já que os takes longos nos dão uma incrível proximidade com os personagens). Mas é a excelente encarnação de um psicopata feita por Vincent D’Onofrio!

Mas todo o filme conta com um pano de fundo de completa critica aos objectivos de combate, através do simples dia-a-dia dos fuzileiros (com que nos familiarizamos desde início). E perante tanto imperialismo, assim o filme acaba, num fechar de olhos que nos diz que tudo acaba bem, sem moralismos. E é isto que na minha opinião destaca o filme – A representação real, com a sublime demência detalhada em cada cena, onde sentimos a ironia sempre apoiada a uma banda sonora que fala por si, sem recurso a moralismos nem emoções. O penúltimo filme da completa colecção de Stanley Kubrick, o 8.1 da minha parte.

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