Fight Club – Crítica

É impossível ficar indiferente a Fight Club, seja pelas suas frases, pelo enredo em si, ou pelas cenas controversas que contém. A violência é usada como McGuffin para este riquíssimo argumento. É usada em dualidade com a violência psicológica, de que somos alvos. O filme é pensado no mainstream, mas nem por isso David Fincher desleixou o argumento, baseado no livro de Chuck Palhnuik. Uma crítica ao conformismo, consumismo e à rotina de quem quer ser completo; a violência representa também aqui, uma luta contra a perfeição.

O filme cativa-nos pela sua complexidade, deixando-nos confusos e envolvidos até ao surpreendente final. O que é bom neste desfecho, é que quando vemos o filme pela segunda vez, encontramos pistas em pormenores, durante todo o enredo, que nos conduzem para a verdade da intriga.

Acompanhamos de perto duas personagens, com características opostas. Uma delas conduz a outra, a uma transformação plena que nos convence completamente, não só pelo acting naturalista de Edward Norton, mas pela excelente arquitectura do guião. As filosofias que este aprofunda (o guião) não se ficam pelo moralismo superficial, a que estamos habituados num enredo fácil. Fincher preocupa-se aqui em acompanhar o herói, com cenas que nos “comprovam” o objectivo do mesmo, não se ficando pelas frases que vamos gostar. Isto faz com que a credibilidade do argumento seja comprovada.

Brad Pitt quando acabou de ver o resultado final, confidenciou a Edward que nunca iria fazer um filme tão bom quanto este. E é de facto uma actuação espectacular de Brad, sendo não só ele o trunfo do realizador, mas também Norton como já referi e a encantadora Helena Bonham Cárter – que dá o toque feminino, que é a cereja no topo do bolo.

De qualquer maneira, na minha opinião, o filme seria “perfeito” se acabasse 5 minutos antes. Não me afastando dos números, 8.8 é a nota.

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One thought on “Fight Club – Crítica

  1. Celso Pais diz:

    No filme são também desconstruídas as estratégias de autoajuda tão comuns na sociedade norte-americana. A violência, exercida dentro de um corpo de regras, acaba por se assemelhar à luta livre dos gregos, e acaba por denotar uma verdadeira catarse coletiva.
    A luta contra os ditames de uma sociedade de consumo – que se nutre de escravos – dá azo à formação de um gang terrorista que prenuncia o 11 de setembro de 2001. Enfim, um filme com direito à palavra FILME.

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