Fargo – Crítica

Há realizadores que se deslocam para uma cidade somente para embeberem todo aquele ar, de modo a poderem transparecer no filme tudo o que o local pode oferecer. Fargo não tem um fôlego especial, nem esperem um argumento surpreendente. É sim algo simples de contar, com muitos pormenores que fazem toda a diferença – o que faz todo o sentido para o argumento que se trata – algo simples que ganha outra dimensão.

Ora, o que os irmãos Coen fizeram aqui foi trabalhar clichés, sotaques e situações quotidianas, de forma a tornar este argumento num insólito! O que poderia ser um simples resgate transforma-se num assassínio em série, e é esta “ampliação” que nós vemos ao longo do filme, misturada com situações tão normais, que qualquer um de nós se identifica.

Repleta de sarcasmo, humor negro e violência nua e crua, é considerada por muitos a melhor longa-metragem dos irmãos Coen. Ganhou Óscar de melhor actriz (Francês MacDomand) e melhor argumento original, escrito pelos dois irmãos (embora baseado em factos reais). Toda a direcção de actores está fabulosa e o clima é perfeito para a história aqui contada… Que conta com a excelente fotografia de Roger Deakins.

É natural que não agrade a todos, pois é um filme que se tem de ver para além das entranhas. Pode ser considerado de pouca genialidade pelo mainstream, mas é preciso aprecia-lo com algum conhecimento cinéfilo e se necessário, mais que uma vez, pela sua riqueza que vai além de uma apreciação global. É contudo o 7.5 para uma obra de se ver de olhos bem abertos.

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